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Aula de vídeo.

Conheça o DCMN

Esta é uma iniciativa que envolve ações de comunicação e cultura já em curso no Observatório de Favelas, ou seja, a Escola Popular de Comunicação Crítica e o Imagens do Povo.

Desde 2004 o Observatório vem desenvolvendo iniciativas para mudar as representações sobre as favelas e para impactar a vida de seus moradores. No âmbito desta ação propomos um trabalho focado na cultura digital e na produção da imagem, através de um curso de iniciação a fotografia e vídeo voltado para estudantes adolescentes e professores da rede pública municipal situada na Maré.

A ideia é que seus participantes possam desenvolver habilidades para uma documentação das experiências educativas e culturais vivenciadas no território em que vivem, considerando o potencial transformador que este reconhecimento traz para formação de relações mais saudáveis e acolhedoras no ambiente escolar e para a vida comunitária.

Favela X Carência

Historicamente os espaços populares são apresentados pelo viés negativo, ou seja, se valorizam aspectos da paisagem em contraponto a um modelo urbano do qual a favela é vista como uma excrescência. Esta representação vê o território como lugar das ausências e seus moradores não teriam legitimidade para estar e pertencer à cidade.  Por outro lado, cada vez mais se observa uma resposta em termos de produção cultural e artística de origem popular.  Grupos produtivos, artistas e organizações têm colocado em questão esta representação e produzido novos olhares sobre tais territórios e seus moradores.  Em termos dos equipamentos públicos, as escolas sempre foram vistas como oásis num ambiente improdutivo e violento, mas reproduzem em grande medida a representação de que estes territórios não possuem qualidade de vida alguma.

Aula de fotografia na rua
Aula de fotografia na rua

O sensacionalismo, a pobreza e a violência que caracterizam a fala da mídia, está de modo contundente na fala dos profissionais da educação, que tendem, numa estrutura impermeável como a escola, a sucumbir diante dessa representação negativa.  Mas é possível utilizar-se das atuais tecnologias da informação e da comunicação para disparar novas relações no espaço escolar e para fora dele.  Atualmente muitos sujeitos têm ganhado visibilidade nas redes sociais por conseguir apresentar outras versões sobre a realidade vivida nos territórios populares.

A intenção deste projeto vai exatamente neste sentido, ou seja, criar um núcleo de produção de imagem que se constitua como um espaço de produção de novos olhares sobre o cotidiano de trocas, de sociabilidades, de criação, de inovação, presente tanto na escola situada neste território como no seu entorno.

Acreditamos que seja possível construir novos significados voltados, principalmente, para ampliar a importância simbólica do ato educativo e dar mais visibilidade a potência criativa destes adolescentes de origem popular que frequentem diariamente as escolas da região.

O objetivo é, portanto, preparar os adolescentes para uma inserção protagonista e mais qualificada nessa nova realidade. Trata-se então de colocar em prática um programa que possa oferecer ferramentas tecnológicas e ferramentas conceituais apropriadas para a ação e interação na junção desses dois hemisférios no mundo atual, tendo em vista a realidade popular e a vida nas favelas. Apresenta-se, dessa forma, mais um ponto de apoio para fortalecer a potência em uma ambiente social que é, hegemonicamente, referenciado pela ausência.

Metodologia

Aula de fotografia no laboratório de informática
Aula de fotografia no laboratório de informática

Por meio de um edital, o Observatório de Favelas, realizou uma seleção entre os estudantes das redes públicas municipal e estadual que no território da Maré. Há hoje, há 7 escolas públicas que ofertam os anos finais do ensino fundamental e 3 escolas de ensino médio.

A seleção é destinada, portanto, aos estudantes que estão cursando do 6º ao 9º do ensino fundamental ou estão no ensino médio de tais escolas. Nosso objetivo é focar entre os adolescentes que possuam de 12 aos 16 anos de idade.

Atividades

- Três encontros semanais de 90 minutos por quatro meses consecutivos (dois tempos de 35 minutos) na sede do Observatório de Favelas.

- Encontros, com palestras e workshop, sobre os temas afins dos cursos.

- Encontros virtuais, utilizando skype, twitter e facebook.

- Oficinas específicas para melhor compreensão da utilização dos equipamentos e dos aplicativos a serem utilizados.